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HISTÓRIA DA OSTEOPATIA | ![]() | |
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HISTÓRIA DA OSTEOPATIA A História da Osteopatia encontra-se intimamente relacionada com a história da família Still. Andrew Taylor Still nasceu nos Estados Unidos da América (Estado da Virgínia) em 1828, filho de um pregador metodista, médico e agricultor. A sua educação caracterizou-se por uma forte disciplina: aprendeu a ler, a escrever e aritmética. Devido à profissão de seu pai, Still percorreu várias terras o que levou a constantes interrupções nos seus estudos. Em 1851, o seu pai mudou-se para a Reserva dos Índios Shawnnee. Mais tarde, depois de casar, Still mudou-se para junto de seu pai, ajudando-o nas actividades rurais, religiosas e na medicina. Um surto de cólera na missão índia fez Still decidir-se pelo exercício da medicina.
Uma vez que na época não existiam escolas de medicina, baseou o seu estudo nos livros existentes, sob a orientação do pai. À medida que progride nos seus estudos, apercebe-se das limitações da medicina e começa a dar mais atenção aos sintomas e aos meios que se utilizava para aliviar os mesmos. Nessa altura, não se possuía, ainda, uma compreensão real da doença, a qual era tratada com recurso ao vómito, às purgas, sangrias e doses de morfina, álcool e mercúrio.
Apesar de Still adoptar, inicialmente, aquele tipo de tratamentos, cedo os abandonou começando a criticá-los publicamente, vindo a ser posto de lado entre os seus pares. Como forma de estudar a anatomia e patologia humanas, recorreu ao chefe índio da Reserva Shawnee para que este lhe concedesse uma autorização para exumar corpos de índios, o que lhe permitiu obter um conhecimento até então muito vago.
Um dos aspectos centrais das suas observações recaiu no estudo dos ossos e suas interligações. Em seguida, estudou aquilo a que viria a chamar de "o rio da vida" – o sistema vascular e o modo como ele percorria o corpo humano. Este estudo levou Still a considerar o corpo humano como uma máquina, pois nele encontrou um esqueleto, músculos e ligamentos; percebeu, igualmente, que o corpo humano estava sujeito a algumas leis mecânicas e, por isso, sujeito a algumas tensões por sobrecarga mecânica. Também descobriu que os sistemas circulatórios e nervoso desempenhavam papéis importantes quer na doença, quer na saúde.
As actividades de Still também abrangiam questões sociais. Tornou-se um militante activo nas questões políticas relacionadas com a escravatura, manifestando-se um defensor da abolição da mesma, chegando a ser eleito para o Parlamento do Estado do Kansas.
Em 1859, morreu a sua mulher, deixando-lhe quatro filhos. Mais tarde, Still casa pela segunda vez. Pouco depois, iniciava-se a guerra civil americana. Alistou-se no exército da União, que combateu a escravatura, onde se tornou cirurgião militar. Nesse período, Still efectuou centenas de operações assistindo, impotente, à amputação e morte de centenas de soldados. Após a desmobilização militar, Still, agastado com a situação que tinha vivido no conflito armado, sofreu ainda um desgosto com a morte de três dos seus quatro filhos, fruto do primeiro casamento, durante uma epidemia de meningite. Pouco tempo depois um filho do seu segundo casamento veio, também, a morrer em consequência de uma pneumonia. Esta sequência de acontecimentos levou Still a sentir que os métodos terapêuticos da época eram inadequados para resolver os problemas que se enfrentavam. Estes métodos e os fármacos utilizados em medicina eram, inclusivamente, em muitos casos, mais prejudiciais do que a própria doença. Assim, Still inicia uma cruzada na sua vida em busca de um novo método terapêutico na medicina, que fornecesse maior garantia de sucesso. Entre os anos de 1865 e 1870, introduz métodos manuais manipulativos para tratar todo o tipo de doenças. As suas ideias acerca do exercício da medicina, avançadas para a época; a ausência por longos períodos para se dedicar a estudos e reflexões; a maneira casual de se vestir; e o sucesso no tratamento de doenças sem recorrer a medicamentos, valeu-lhe junto da comunidade onde residia os títulos de charlatão, excêntrico e de adepto das forças do mal. Esta fama de excêntrico e de estar a cometer uma heresia apenas desapareceu quando conseguiu tratar a filha de um proeminente pastor presbiteriano.
Em 1874, já residente na cidade de Kirksville, após ter estado com pneumonia durante três meses e de lhe ter nascido mais um filho, Still apresentou à comunidade a mais recente ciência médica – a Osteopatia. Esta nova ciência médica havia sido concebida para ser uma melhoria da medicina convencional e não uma medicina alternativa. Com o aumento do número de pacientes e com o ganho que estes proporcionavam, Still conseguiu trazer a família para junto de si.
Embora tenha sido autor de diversos artigos e de quatro livros, um dos quais a sua autobiografia, a base filosófica e histórica para o seu trabalho são difíceis de seguir. Still nunca enunciou as fontes da sua filosofia. Os historiadores conseguiram uma compreensão parcial colocando a vida de Still no contexto da sua época.
A Osteopatia é uma aproximação naturalista e holística à saúde e à doença, sem o recurso a medicamentos. Baseia-se na ideia que o homem não é uma colecção das peças mas de um todo imbuído com espírito. Um total não reduzido a algumas partes. O corpo funciona como uma unidade total e possui mecanismos de auto cura e auto regulação. A Osteopatia diz que há um relacionamento recíproco entre a estrutura e a função. Uma alteração na estrutura (no sistema músculo-esquelético), com ferimento, resultará numa mudança na função (um órgão interno) e, por sua vez, na doença. Do mesmo modo, um órgão interno doente resultará numa alteração no sistema músculo-esquelético. O osteopata, pelo seu conhecimento profundo de anatomia, pode reconhecer, mesmo nas situações mais subtis, estes desvios do normal e, pela aplicação de várias manobras manuais, restaurar a estrutura e a função, ajudando o corpo a auto curar-se. Em 1870, na América, esta perspectiva holística era vista, ainda, de uma forma diabólica. Still teve, na sua vida, muitas oportunidades de testemunhar os efeitos da medicina convencional. Perdeu a sua primeira esposa e seis crianças devido às doenças infecciosas. Viu a impotência da medicina enquanto cirurgião do exército, bem como quando esteve com os índios nativos durante várias epidemias. Sofreu uma pneumonia durante três meses e demorou três anos para recuperar da febre tifóide. Stil era, ainda, um observador astuto. Passou muitas horas sozinho estudando anatomia nos livros e nos cadáveres. Era ainda um curador natural; já no final da sua vida, revelou a um dos seus estudantes que conseguia ver a aura humana, o campo humano da energia. Em muitos aspectos, a Osteopatia resultou da síntese original da sua experiência pessoal e de diversos movimentos intelectuais e filosóficos que na altura atravessavam a América. Os conceitos subjacentes às pseudo-ciências de frenologia, do espiritualismo, da existência do fluxo curativo e dos líquidos eletromagnéticos, bem como a auto regulação do corpo foram incorporados na noção que Still possuía dos efeitos curativos de um fluxo sem restrições da corrente sanguínea. A manipulação osteopática podia aliviar as limitações à livre circulação do sangue, sede de nutrientes, e do poder dos nervos, como condutores de informação, removendo os bloqueios e as contracções do sistema esquelético.
Still era um inventor amador, fascinado com máquinas, e conseguiu um conhecimento quase perfeito da anatomia humana devido aos seus muitos anos de estudo. Entendeu a doença como um efeito da desordem da perfeição anatómica pretendida por Deus. Foi muito influenciado por Herbert Spencer, um filósofo britânico do século XIX que inventou o termo evolução e influenciou o pensamento de Charles Darwin. Na filosofia de Still da Osteopatia podem encontrar-se muitas das ideias de Spencer - os conceitos da causa e efeito, o relacionamento entre a estrutura e a função, a natureza holística do homem e interligação das peças.
A melhor forma de ilustrar a influência destes movimentos na filosofia Still provém dos termos com que se identificou a ele próprio antes de inventar um nome para a sua ciência nova: curador magnético ou um endireita iluminado! Andrew Taylor Still morreu a 12 de Dezembro de 1917, vítima dos efeitos de um ataque que tinha conseguido suster três anos antes.
Referências Bibliográficas :
Autobiography of Andrew T. Still, With a History of the Discovery and Development of the Science of Osteopathy (1897), by A. T. Still que pode ser consultado no seguinte site: |
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